terça-feira, 29 de março de 2011

HTPC -22/03/2011 O que a escola precisa mudar para ser compulsória?


Responder a essa pergunta supõe, como mínimo, refletir sobre o lugar sociocultural da escola “ontem” e “hoje”. A pergunta em si mesma já expressa essa hipótese porque sugere que a escola de ontem não era compulsória e que a de hoje quer sê-lo. Por que a escola de ontem não era? Por que a de hoje deve ser? Consideremos que, em certo sentido, a escola sempre foi compulsória. Foi nela que sempre se depositou a esperança e a confiança no desenvolvimento e na aprendizagem dos alunos daquilo que é compulsório para todos nós, não só na escola, mas na vida em geral. Amar ao próximo como a si mesmo, ser digno, comprometido, responsável e tantos outros valores são “compulsórios” a uma certa visão de ser humano. Sem eles, predominariam a barbárie e a violência. Classificar, selecionar, ordenar, fazer inferências, observar, comparar, quantificar, concluir, fazer escolhas, tomar decisões, antecipar, corrigir e tantas outras “ferramentas” cognitivas são habilidades consideradas compulsórias ao ser humano. Sem elas, nossa sobrevivência, nosso passado, presente ou futuro ficariam extremamente prejudicados e sujeitos a toda sorte de manipulações. Trabalhar em grupo, cooperar, argumentar, compartilhar tarefas, construir coisas, divertir- se, criar, desfrutar a vida e tantas outras realizações sociais são compulsórias ao ser humano. Sem elas, a vida restaria sem sentido. Os domínios lembrados entre tantos outros não são privilégio da escola, tanto assim que culturas “não-escolares” os desenvolvem, inclusive de modo bastante complexo. O fato é que, em nossa sociedade, atribuiu-se à escola um lugar fundamental para o desenvolvimento dessas aquisições, sobretudo em crianças e adolescentes. Em resumo, se há coisas compulsórias é porque são melhores para o ser humano e, se a escola compromete-se com seu desenvolvimento, ela também se torna compulsória, ao menos quanto aos conteúdos que pretende ensinar. O problema da escola compulsória de “ontem” é que era destinada para poucos alunos. Ela se restringia àqueles que tinham condições (financeiras, cognitivas, sociais, culturais, afetivas, biológicas, religiosas) de ingressar ou permanecer nela, porque atendiam aos seus pré-requisitos ou pressupostos. Os outros, a grande maioria, não ingressavam ou não ficavam mais do que alguns anos, o que só confirmava sua falta de condições para desenvolver na escola os conteúdos acima mencionados. Em outras palavras, a escola sempre foi compulsória, porque está comprometida em desenvolver bem o que é compulsório a uma vida digna e plena, mas antes ela só se permitia fazer isso com os poucos alunos que tinham condições para atender aos seus critérios. A ES cola de “hoje” reconheceu e aceitou o desafio de ensinar o compulsório da vida para todas as crianças e adolescentes. O que ela precisa mudar para ser compulsória nesse segundo sentido, ou seja, ser capaz de ensinar a todas as crianças? Para responder a essa pergunta, penso que são importantes duas considerações. Primeiro, a escola de “hoje” deve mudar a visão que a de “ontem” construiu sobre si mesma. Segundo, a escola de “hoje” não pode esquecer em sua crítica aquilo que continua valioso, apesar dos imensos desafios de sua consideração na atualidade. De um lado, a escola, como qualquer instituição social,expressa os valores, as possibilidades e os interesses das pessoas de seu tempo. Sobretudo, daquelas que têm poder político e econômico, que têm condições – “herdadas” ou “conquistadas” – para determinar o que julgam “melhor” para si mesmas e para os representantes de sua classe. Nesses termos, talvez caibam duas perguntas: a quem a escola de ontem servia? A quem serve a escola de hoje? De outro lado, como comentei no início, a escola aceitou ser – e de fato é – depositária daquilo que é fundamental ou compulsório a qualquer ser humano, mesmo que suas formas de expressão variem no espaço e no tempo. A quem serve a escola? Para responder a essa pergunta, proponho que lembremos, ainda que superficialmente, três modos de ser de nossa sociedade nos últimos séculos. O primeiro deles é o da sociedade produtora, isto é, comprometida com a fabricação de bens duráveis, resistentes. Sólidos também são seus valores, seus compromissos e suas relações de trabalho. É a sociedade que preza o emprego e o casamento para toda a vida, que valoriza a família com muitos filhos, os quais estendem e aprofundam a herança e os valores de seus pais. Não importa que o trabalho vire rotina, que produzir seja mais um reproduzir, um fazer sempre igual, que o casamento não faça sentido e que se sustente por interesses externos ou pelo medo de mudança. Qual é a melhor escola para essa sociedade? Quem são os melhores alunos para ela? Quais conteúdos escolares ela deve privilegiar? Em sua lista, que competências e habilidades são requeridas de seus alunos? Um segundo tipo de sociedade é a que valoriza o ter, o possuir recursos materiais a serem acumulados. É a sociedade que preza o capital, que divide as pessoas por suas posses, por seus bens materiais, por sua fortuna. Qual é a melhor escola para essa sociedade? Como ela prepara crianças e adolescentes para serem bem-sucedidos neste sistema? E as crianças que não têm condições materiais para freqüentá-la, porque devem trabalhar, porque seus pais não podem ter nem têm livros em casa? Um terceiro tipo de sociedade é a que valoriza o consumir, o desfrutar mais e mais os bens produzidos e sempre aperfeiçoados ou diversificados. É a sociedade que valoriza o instante, o substituível, o breve no tempo e o próximo no espaço, já que os recursos tecnológicos cada vez mais possibilitam isso. É a sociedade global, tecnológica, plena de invenções e descobertas. Possuidora de recursos que facilitam nossa vida, que “sustentam” a juventude de nosso corpo, que estendem nosso bem estar e que nos provêem facilidades e possibilidades de consumo de todos os tipos. Uma sociedade que julga ter superado o pesado, o difícil, o que precisa ser consertado e apreendido de modo lento e dedicado. Qual é a melhor escola para essa sociedade? Como ela deve preparar seus alunos? Quais competências e habilidades eles devem dominar para serem bem-sucedidos? Produzir, ter e consumir representam ações e valores que talvez resumam nossos principais esforços e êxitos dos últimos tempos. Não importa que cada vez mais menos pessoas tenham possibilidades para isso, que suas reais condições de fazer parte dessa classe sejam precárias, incertas e difíceis. Não importa os tipos de ansiedade, de sofrimento, de exclusão e de desigualdade social implicadas em nossos esforços para produzir, ter e consumir. O interessante é que essa mesma sociedade aprove leis e determine recursos a serem gastos em uma escola.

LINO DE MACEDO


1- Leitura:

O que a escola precisa mudar para ser compulsória?

Reflexão:

- Que tipo de escola e sociedade queremos para os nossos alunos?

- O que esperamos?

- Quais as competências e habilidades eles devem dominar para serem bem sucedidos?


2- Divisão por áreas para montagem do Informativo Escolar de divulgação do trabalho realizado.

segunda-feira, 14 de março de 2011

PAUTA DE HTPC - 15/03/2011









"A verdadeira viagem de descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, e sim em ter novos olhos."( Marcel Proust )




1- Sensibilização: Aos Educadores
2- Proposta reestruturação do estatuto do magistério, plano de carreira vencimentos e salários para Integrantes do QM.
Ø Trabalho em grupos para socialização.

3-Proposta de divulgação do “nosso trabalho”: sugestões e pontuação.
4-Reunião de pais: dia 25/03/11: elaboração de pauta (sugestões)
5- 40º Concurso Internacional de Redação de Cartas para jovens de até 15 anos; inscrições de 14/02 a 25/03, mais informações: http://www.correios.com.br/
6- Cursos:
*Atualização: “Identificando e Atendendo o Aluno com Deficiência Intelectual em suas Necessidades Educacionais Específicas” – 40h;
*LIBRAS – 40h
Concurso: Presidente Obama ao Brasil – Concurso para escolas públicas
7-Outros:


Aos educadores

O ilustre escritor brasileiro Augusto Cury enumera em seu livro intitulado Pais brilhantes, professores fascinantes, o que ele considera os sete pecados capitais dos educadores.

O primeiro deles é corrigir o educando publicamente. Um educador jamais deveria expor o defeito de uma pessoa, por pior que ele seja, diante dos outros. Um educador deve valorizar mais a pessoa que erra do que o erro da pessoa.
O segundo é expressar autoridade com agressividade. Os educadores que impõem sua autoridade são aqueles que têm receio das suas próprias fragilidades. Para que se tenha êxito na educação, é preciso considerar que o diálogo é uma ferramenta educacional insubstituível.
O terceiro é ser excessivamente crítico: obstruir a infância da criança. Os fracos condenam, os fortes compreendem, os fracos julgam, os fortes perdoam. Os fracos impõem suas idéias à força, os fortes as expõem com afeto e segurança.
O quarto é punir quando estiver irado e colocar limites sem dar explicações. A maturidade de uma pessoa é revelada pela forma inteligente com que ela corrige alguém. Jamais coloque limites sem dar explicações. Para educar, use primeiro o silêncio e depois as idéias. Elogie o educando antes de corrigi-lo ou criticá-lo. Diga o quanto ele é importante, antes de apontar-lhe o defeito. Ele acolherá melhor suas observações e o amará para sempre.
Quinto: ser impaciente e desistir de educar. É preciso compreender que por trás de cada educando arredio, de cada jovem agressivo, há uma criança que precisa de afeto. Todos queremos educar jovens dóceis, mas são os que nos frustram que testam nossa qualidade de educadores. São os filhos complicados que testam a grandeza do nosso amor.
O sexto, é não cumprir com a palavra. As relações sociais são um contrato assinado no palco da vida. Não o quebre. Não dissimule suas reações. Seja honesto com os educandos. Cumpra o que prometer. A confiança é um edifício difícil de ser construído, fácil de ser demolido e muito difícil de ser reconstruído.
Sétimo: destruir a esperança e os sonhos. A maior falha que os educadores podem cometer é destruir a esperança e os sonhos dos jovens. Sem esperança não há estradas, sem sonhos não há motivação para caminhar. O mundo pode desabar sobre uma pessoa, ela pode ter perdido tudo na vida, mas, se tem esperança e sonhos, ela tem brilho nos olhos e alegria na alma.

* * * Você que é pai, professor ou responsável pela educação de alguém, considere que há um mundo a ser descoberto dentro de cada criança e de cada jovem. Só não consegue descobri-lo quem está encarcerado dentro do seu próprio mundo. Lembre-se que a educação é a única ferramenta capaz de transformar o mundo para melhor, e que essa ferramenta está nas suas mãos. Do seu uso adequado depende o presente e dependerá o futuro. O jovem é o presente e a criança é a esperança do porvir. Pense nisso e faça valer a pena o seu título de educador. Eduque. Construa um mundo melhor. Plante no solo dos corações infanto-juvenis as flores da esperança.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Reunião Pedagógica 9 de março de 2011
















Escola Estadual Antonio Ferraz
REUNIÃO PEDAGÓGICA – 09 de março de 2011

Sermão da Montanha
(versão para professores)
Naquele tempo, Jesus subiu a um monte seguido pela multidão e, sentado sobre ma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Ele os preparava para serem os educadores capazes de transmitir a lição da Boa Nova a todos os homens. Tomando a palavra, disse-lhes:
- “Em verdade, em verdade vos digo: Felizes os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Felizes os misericordiosos, porque eles...”Pedro o interrompeu: - Mestre, vamos ter que saber isso de cor? André disse:- É pra copiar no caderno? Filipe lamentou-se:- Esqueci meu papiro! Bartolomeu quis saber:- Vai cair na prova? João levantou a mão:- Posso ir ao banheiro? Judas Iscariotes resmungou:- O que é que a gente vai ganhar com isso? Judas Tadeu defendeu-se:- Foi o outro Judas que perguntou! Tomé questionou:- Tem uma fórmula pra provar que isso tá certo? Tiago Maior indagou:- Vai valer nota? Tiago Menor reclamou:- Não ouvi nada, com esse grandão na minha frente. Simão Zelote gritou, nervoso:- Mas porque é que não dá logo a resposta e pronto!? Mateus queixou-se:- Eu não entendi nada, ninguém entendeu nada! Um dos fariseus, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada a ninguém, tomou a palavra e dirigiu-se a Jesus, dizendo:- Isso que o senhor está fazendo é uma aula? Onde está o seu plano de curso e a avaliação diagnóstica? Quais são os objetivos gerais e específicos? Quais são as suas estratégias para recuperação dos conhecimentos prévios? Caifás emendou:- Fez uma programação que inclua os temas transversais e atividadesintegradoras com outras disciplinas? E os espaços para incluir os parâmetros curriculares gerais? Elaborou os conteúdos conceituais, processuais e atitudinais? Pilatos, sentado lá no fundão, disse a Jesus:- Quero ver as avaliações da primeira, segunda e terceira etapas ereservo-me o direito de, ao final, aumentar as notas dos seus discípulospara que se cumpram as promessas do Imperador de um ensino de qualidade. Nem pensar em números e estatísticas que coloquem em dúvida a eficácia do nosso projeto.- E vê lá se não vai reprovar alguém! Lembre-se que você ainda não éprofessor titular... Jesus deu um suspiro profundo, pensou em ir à sinagoga e pedir aposentadoria proporcional aos trinta e três anos. Mas, tendo em vista o fator previdenciário e a regra dos 95, desistiu. Pensou em pegar um empréstimo consignado com Zaqueu, voltar pra Nazaré e montar uma padaria... Mas olhou de novo a multidão. Eram como ovelhas sem pastor... Seu coração de educador se enterneceu e Ele continuou:
-“Felizes vocês, se forem desrespeitados e perseguidos, se disserem mentiras contra vocês por causa da Educação. Fiquem alegres e contentes, porque será grande a recompensa no céu. Do mesmo modo perseguiram outros educadores que vieram antes de vocês”.
Tomé, sempre resmungão, reclamou:- Mas só no céu, Senhor? - Tem razão, Tomé - disse Jesus - há quem queira transformar minhas palavras em conformismo e alienação.. Eu lhes digo, NÃO! Não se acomodem. Não fiquem esperando, de braços cruzados, uma recompensa do além. É preciso construir o paraíso aqui e agora, para merecer o que vem depois... E Jesus concluiu:- Vocês, meus queridos educadores, são o sal da terra e a luz do mundo... SÓ JESUS SALVA!!! Pelo jeito, os professores, também! rs..
Texto de abertura do Programa Rádio Vivo — Rádio Itatiaia, Belo Horizonte — do professor Eduardo Machado.
Fonte: http://www.dihitt.com.br/barra/sermao-da-montanha-para-os-professores






PAUTA DA REUNIÃO

1- Leitura do Texto: Sermão da Montanha (versão para professores)
2- Fala da direção – metas
3- Reunião de pais
4- Estudo do texto: GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO SECRETARIA DA EDUCAÇÃO – POR UMA EDUCAÇÃO BÁSICA DE QUALIDADE
Reflexão.
5- Projeto de Recuperação Paralela: pontos a serem revistos
6- Sala de Recursos – alunos com necessidades especiais
7- Entrega dos diários de classe – orientações de preenchimento
8- Professor Conselheiro

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

SEMANA DA SAÚDE


Reunião de HTPC 19/10/2010

EDUCAR

Educar é um ato heróico em qualquer cultura.
Talvez seja pelo fato de que educar exija que a pessoa saia um pouco de si e vá ao encontro do outro; um outro desconhecido; um outro anônimo; um outro que me questiona; um outro que me confronta com meus próprios fantasmas, meus próprios medos, minha própria insegurança. Talvez seja pelo fato que educar exija sacrifício, exija renúncia de si, exija abandono, exija fé, exija um salto no escuro. Talvez por isso seja algo para poucos.
Seja para pessoas que acreditam nas outras pessoas.
Seja para pessoas que não se acomodaram diante da mesmice que a sociedade pede todos os dias. Talvez por isso seja mais fácil encontrar professores que educadores:Professores são donos do conhecimento.
Educadores são mediadores.
Professores são profissionais do ensino.
Educadores fazem do ensino um estimulo para seu conhecimento pessoal.
Professores usam a palavra como instrumento.
Educadores usam o silencio.
Professores batem as mãos na mesa.
Educadores batem o pé no chão.
Professores são muitos, Educadores são Um.
O educador tem os pés no chão, mas sua cabeça está sempre nas alturas porque acredita que quem está à sua frente não é um cliente esperando para ser atendido, mas uma pessoa aguardando orientações para seguir seus passos. Esta é a razão de ser do educador. Esta é sua esperança. E para isso, o educador precisar ser inteiro, precisar ser completo, precisa estar em sintonia com o universo. Por isso é para poucos, mas não devia ser assim.
O ideal seria que toda sociedade estivesse voltada para a realização de todos e não apenas para a de alguns privilegiados que se sentem como deuses e querem decidir a vidas das pessoas.
O certo seria que todo ser humano desenvolvesse seus dons e talentos para o bem de todos e que não fosse algo extraordinário alguém sobressair-se por causa de seu potencial artístico.
Simplesmente deveria se assim todo; deveria ser comum todos os seres poderem expressar sua alegria de esta vivo sem precisar "vender" seus talentos para manterem-se vivos.
Infelizmente, no entanto, a realidade que vivemos foi "pensada" de um jeito tal que as pessoas são compreendidas como máquinas de ganhar dinheiro, como objeto de consumo, como um monte de lixo que servirá apenas de estrume para aqueles que dominam o sistema social.
É preciso reverter esse quadro. É preciso que os professores criem uma consciência nova, dinâmica, ancestral, para que novo jeito de pensar venha à tona e possa colocar em xeque uma sociedade que desvaloriza o ser humano em detrimento do dinheiro, do acumulo, do consumo.
É preciso que os professores virem educadores de verdade e possam despertar nossos jovens para o futuro que se inscreve em nossa memória ancestral. Só assim teremos um amanhã.

Daniel Munduruku



ESTRATÉGIAS DE LEITURA


Competências desenvolvidas: Grupo I – Observar
Grupo II – Realizar
Grupo III – Compreender


HABILIDADES DE LEITURA - Antes da leitura

• Levantamento do conhecimento prévio sobre o assunto. (O que já se sabe sobre o assunto).
• Expectativas em função do suporte. (De onde veio o texto?).
• Expectativas em função da formatação do gênero (Divisão em colunas, segmentação do texto, tabelas, gráficos...).
• Expectativas em função do autor ou instituição responsável pela publicação. (Como escrevem? Qual sua linha editorial? O que costuma publicar?).
• Antecipação do tema ou ideia principal a partir de elementos como título, subtítulos, epígrafes, prefácios, sumários. (Levantar hipóteses a respeito do assunto abordado a partir do título e subtítulo).
• Antecipação do tema ou ideia principal a partir do exame de imagens ou de saliências gráficas. (Leitura exploratória das imagens -fotografias/ilustrações/mapas, gráficos...).
• Explicitação das expectativas de leitura a partir da análise dos índices anteriores. (Os processos cognitivos e afetivos mobilizados pela leitura exploratória - decisivos para orientar a escolha do material a ser lido, como também para ativar o conhecimento prévio e construir expectativas de leitura).
• Definição dos objetivos da leitura. (Objetivos diferentes determinam modos diferentes de ler, pois mobilizam o uso de diferentes estratégias de leitura).

HABILIDADES DE LEITURA - Durante a leitura (autônoma ou compartilhada)

• Confirmação ou retificação das antecipações ou expectativas de sentido, criadas antes ou durante a leitura. (Confronto entre as hipóteses levantadas e o que vão identificando na leitura do texto).
• Localização ou construção do tema ou da ideia principal. (Do que trata o texto? – para reconhecer o tema. O que este texto desenvolve a respeito desse assunto? – para inferir ou localizar a ideia principal. Formulação de questões antes de iniciar a leitura integral do texto).
• Esclarecimento de palavras desconhecidas a partir de inferência ou consulta a dicionários. (Leitura global conhecer o texto – sublinhar palavras desconhecidas e interpretá-las seguindo o contexto para depois recorrer ao dicionário. Caso recorra primeiro ao dicionário, o leitor passa a “caçar” palavras, cujo sentido desconhece e não as interpreta).
• Identificação de palavras-chave para a determinação dos conceitos veiculados. (Identificação dos conceitos e de suas ramificações dentro do texto pode ser um recurso para o estudante aprender como está construída e fundamentada a argumentação do autor).
• Busca de informações complementares em textos de apoio subordinados ao texto principal ou por meio de consulta a enciclopédias, internet e outras fontes. (Buscar em outros textos ou suportes).
• Identificação das pistas linguísticas responsáveis pela continuidade temática ou pela progressão temática. (Focar o olhar em palavras que ajudam o leitor a estabelecer conexões e sinalizar a progressão temática à medida que lê - informações para complementar seu conhecimento).
• Identificação das pistas linguísticas para compreensão da sintetização do conteúdo do texto. (Identificar pistas linguísticas na estrutura textual para verificar – sequência temporal ou cronológica (depois/durante/antes); relação causa e efeito (porque/por essa razão); comparação ou contraste (apesar de/ tal como).
• Identificação das pistas linguísticas responsáveis por introduzir no texto a posição do autor. (Identificar e anotar coletivamente os argumentos e os contra-argumentos do autor, como foram organizados, quais estratégias linguísticas utilizadas por ele. Alguns recursos: evidentemente/ é certo que/ obviamente/ talvez (comprometimento do autor); indispensável/opcionalmente/ é necessário (caráter menos imperativo).
• Construção do sentido global do texto. (Implica tanto decifrar o material gráfico, como fazer uso do conhecimento prévio para preencher o que não está escrito, estabelecendo conexões através de inferências que podem envolver diferentes graus de complexidade. Para construir o sentido global do texto, é preciso ir construindo na memória uma espécie de sequência de ideias ou de resumo do texto que vai sendo ampliado e modificado à medida que a leitura avança).
• Identificar referências a outros textos, buscando informações adicionais se necessário. (Confrontar textos uns com os outros).


HABILIDADES DE LEITURA - Depois da leitura

• Construção da síntese semântica do texto. (Durante a leitura construímos mentalmente a síntese semântica do texto: resumo /esquema pergunta-resposta);
• Troca de impressões a respeito dos textos lidos, fornecendo indicações para sustentação de sua leitura e acolhendo outras posições. (Compartilhar impressões: roda de leitores/exercitar a escuta/troca de ideias...)
• Utilização, em função da finalidade da leitura, do registro escrito para melhor compreensão. (Ler e escrever a respeito do material lido: leitura mais reflexiva).
• Avaliação crítica do texto. (Professor e estudante tomam posições. Cuidado com a imposição de ideias: professor precisa mediar o debate).

Fonte: Referencial de expectativas para o desenvolvimento da competência leitora e escritora no Ciclo II do ensino Fundamental – Prefeitura da cidade de São Paulo.


Atenção! Salientamos a importância de o professor oportunizar momentos de trocas de impressões sobre o texto lido.

Pontos a considerar:

- para a maior parte de nossos alunos, a leitura vai da escola para casa; por isso, precisamos pensar em ações que façam a leitura chegar à família;

- o ambiente de leitura deve ser o mais descontraído possível;

- a leitura é uma prática e se constrói na prática, portanto, precisamos facilitar o acesso aos livros;

- não basta facilitar o acesso aos livros, é necessário estimular a leitura e, para isso, é preciso que o professor seja um apaixonado pela leitura;

- as crianças e jovens brasileiros não estão aptos a usar a leitura como instrumento de cultura e lazer; precisamos reverter esse quadro;

- o professor precisa oportunizar espaços de compartilhamento da leitura, mostrando que ela é uma prática cultural, tanto para realizar pesquisas como para o lazer;

- é preciso que o professor crie espaços para que o aluno possa compartilhar suas experiências de leitura; para que ele possa contar e ouvir experiências, tendo a possibilidade de crescer como ser humano, conhecer o próprio sentimento e o do outro e, assim, se humanizar;

- o contato constante com os livros faz com que o aluno perceba que sua vida está inserida em várias obras literárias, escritas por escritores diversos;

- motivos para a leitura: todo motivo vem de uma necessidade – necessidade de experimentar emoções e desejos; necessidade de criar e materializar idéias realizáveis apenas no âmbito da fantasia; viver emoções; criar fantasias;

- é importante que se crie atividades de socialização da leitura (rodas de leitura, painel de indicação de livros, contação de histórias, dramatização...); que se crie atividades organizadas para estimular a pensar e a se expressar sobre a leitura; saber ouvir para poder falar; perceber o que o outro notou no livro; concordar ou discordar, baseando-se em argumentos consistentes;

- a leitura compartilhada com leitores experientes pode favorecer a descoberta de diferentes tipos de textos;

- a formação do leitor acontece ao longo da vida.


UMA EQUIPE QUE APRENDE


DO QUE DEPENDE A COMPREENSÃO DE UM TEXTO?

Desenvolvimento das capacidades de leitura

Capacidades de leitura
ž Decodificação (ler nas linhas)
ž Compreensão e interpretação (ler entre as linhas)
ž Apreciação e réplica (ler por trás das linhas)

O TRABALHO COM LEITURA NA ESCOLA: UMA SÍNTESE

Um trabalho adequado com leitura, na perspectiva de formação para um exercício mais pleno da cidadania, deve:
• Possibilitar que os alunos confiram sentido ao que lêem (tomar a leitura como situação de interlocução em que sempre há objetivos e motivações);
• Conter atividades que visem subsidiar os alunos para a (re) construção dos sentidos do texto e não simplesmente visar a checagem da compreensão ou fornecer todos os elementos;
• Apresentar atividades/questões antes, durante e depois da leitura, levando em conta a legibilidade dos textos para os alunos;
• Explorar diferentes capacidades, levando em conta a legibilidade dos textos para os alunos e os objetivos e conteúdos das disciplinas;
• Contemplar o que está nas linhas, entre as linhas e por trás das linhas;
• Contemplar diferentes gêneros, explorando suas características, sem perder de vista a compreensão dos textos lidos;
• Diversificar estratégias: leitura individual, em dupla, coletiva, compartilhada, leitura do professor, dos alunos, com diferentes tipos de mediação etc.
• Para o desenvolvimento das capacidades de apreciação e réplica, é fundamental fornecer subsídios em termos de conteúdos para que os alunos possam efetivamente se posicionar;
• Não ter a intenção de mobilizar todas ou muitas capacidades de uma só vez (trabalho extenso e sem sentido).

Após trabalhar, em sala de aula, conteúdos e temas sobre a escravidão, a sociedade patriarcal e a vida urbana no Brasil, no início do século XIX, a partir de documentos visuais, um professor de história solicitou oralmente aos seus alunos a seguinte atividade, como proposta de aprofundamento de estudos.

- Abram seus Cadernos na página 15 e observem a imagem
3. Ela retrata uma cena de jantar no Brasil, na primeira metade do século XIX.
- O que vocês podem ver nela? (ouve a descrição de alguns alunos sobre a imagem);
- Pois bem, eu quero que vocês façam uma pesquisa no livro didático de vocês e também nos livros disponíveis na biblioteca da escola sobre os hábitos alimentares da sociedade brasileira da época e a influência da cozinha africana nesses hábitos.

O jantar no Brasil



Jean-Baptiste Debret. Viagem Pitoresca e histórica ao Brasil (1834-1839)


Na solicitação aos alunos, o professor evocou dois tipos de textos

1- Não verbal
- Observar uma imagem do álbum Viagem pitoresca e histórica ao Brasil (1834 – 1839);
2- Verbal
- Produzir um texto escrito fruto de uma pesquisa;

São exigidas quatro habilidades centrais da língua:
Escuta
Leitura
Oralidade
Escrita

O que faltou nessa atividade?
Chamar a atenção dos alunos para o contexto de produção da imagem:
Quem pintou?
Qual era seu objetivo?
Quando foi produzida?
Onde será exposto?
Por que faz parte de uma série com esse nome?
Quem serão os leitores potenciais?

Para que eles tivessem a possibilidade de

- Mobilizar representações sobre o contexto e o conteúdo
- Capacidades de ação
- Para que os alunos pudessem fazer escolhas para compor a estrutura geral do texto
- Capacidades Discursivas
- E também para manter as coesões temática e pragmática
(escolhas lexicais, das conexões, ...)
- Capacidades Linguístico-discursivas

POR QUE TODAS AS DDISCIPLINAS DEVEM PROMOVER O TRABALHO COM A LEITURA E A ESCRITA?
- Porque a leitura e a escrita perpassam toda a produção de conhecimento e sua
(re)construção em todas as disciplinas e suas práticas pedagógicas;
- Porque o desenvolvimento das capacidades de leitura dos alunos supõe conhecimentos específicos (das várias disciplinas) que muitas vezes o professor de português não possui;
- Porque em diferentes disciplinas circulam gêneros, cujo domínio pode favorecer os processos de compreensão e produção de textos. Para tanto, devem ser explorados por todos os professores no contexto em que circulam

GÊNEROS DO DISCURSO

— “...cada esfera de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados, sendo isso que denominamos gêneros do discurso.” (p. 279)
— “ O enunciado reflete as condições específicas e as finalidades de cada uma dessas esferas, não só por seu conteúdo (temático) e por seu estilo verbal, ou seja, pela seleção operada nos recursos da língua - recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais - mas também, e sobretudo, por sua construção composicional.” (p. 279)


Esferas de circulação de discursos na vida




OS GÊNEROS DE DISCURSO NA ESCOLA





CAPACIDADES DE LEITURA E CONHECIMENTOS


sexta-feira, 12 de março de 2010

NORMAS DE CONDUTA ESCOLAR

Das Normas de Gestão e Convivência



Artigo 23- As normas de gestão e convivência visam orientar as relações profissionais e interpessoais que ocorrem no âmbito da escola e se fundamentam em princípios de solidariedade, ética, pluralidade cultural, autonomia e gestão democrática.

Artigo 24- As normas de gestão e convivência, elaboradas com a participação representativa dos envolvidos no processo educativo - pais, alunos, professores e funcionários – contemplarão, no mínimo:

I-) Os princípios que regem as relações profissionais e interpessoais;
II-) Os direitos e deveres dos participantes do processo educativo;
III-) As formas de acesso e utilização coletiva dos diferentes ambientes escolares;
IV-) A responsabilidade individual e coletiva na manutenção de equipamentos, materiais, salas de aulas e demais ambientes.

Parágrafo Único: Esta escola não poderá fazer solicitações que impeçam a freqüência de alunos às atividades escolares ou venham a sujeitá-los à discriminação ou constrangimento de qualquer ordem.

Artigo 25- Nos casos graves de descumprimento de normas será ouvido o Conselho de Escola para aplicação de penalidade, ou para encaminhamento às autoridades competentes.

Artigo 26- Nenhuma penalidade poderá ferir as normas que regulamentam o servidor público, no caso de funcionário, ou o Estatuto da Criança e do Adolescente, no caso de aluno, salvaguardados:

I-) O direito à ampla defesa e recurso a órgãos superiores, quando for o caso;
II-) Assistência dos pais ou responsável, no caso de aluno com idade inferior a 18 anos;
III-) O direito do aluno à continuidade de estudos, no mesmo ou em outro estabelecimento público.


Seção I
Dos Direitos e Deveres da Direção, Corpo Docente e
Funcionários

Artigo 27- Além dos direitos decorrentes da legislação específica, são assegurados à direção, docentes e funcionários:

I-) O direito à realização profissional humana;
II-) O direito ao respeito e a condições condignas de trabalho;
III-) O direito de recurso à autoridade superior.

Artigo 28- Ao diretor, docentes e funcionários, caberá, além do que for previsto na legislação específica:

I-) Assumir integralmente as responsabilidades, deveres e direitos decorrentes de suas funções;
II-) Cumprir seu horário de trabalho e período de permanência na escola, comparecer às reuniões e atender às convocações;
III-) Manter espírito de colaboração e amizade com seus colegas de trabalho e/ou de profissão.
IV-) Conhecer o horário de funcionamento da escola para que possam cumpri-los com assiduidade, regularidade e pontualidade.

Artigo 29- O diretor, os docentes e os funcionários que porventura vierem a incorrer em desrespeito e negligência ao serviço público, ou que revelem incompetência ou incompatibilidade com a função que exercem, são passíveis de serem sancionados, com as penas disciplinares previstas na legislação específica vigente, após ser-lhes assegurado ampla defesa e o devido processo legal.

Parágrafo Único- As relações profissionais e interpessoais nessa escola, fundamentadas na relação direitos-deveres, pautar-se-ão pelos princípios da responsabilidade, solidariedade, tolerância, ética, pluralidade cultural, autonomia e gestão democrática.


Seção II
Dos Direitos e Deveres dos Alunos e seus Responsáveis

Artigo 30- Os pais ou responsáveis pelos alunos, como participantes do processo educativo, têm direito à informação sobre sua vida escolar, bem como o direito de apresentar sugestões e críticas quanto ao processo educativo, principalmente através das Reuniões de Pais e Mestres.

Artigo 31- Os alunos, além do que estiver previsto na legislação, têm direito:

I-) À formação educacional adequada e em conformidade com os currículos apresentados no planejamento anual;
II-) Ao respeito a sua pessoa por parte de toda a comunidade escolar;
III-) À convivência sadia com os colegas;
IV-) À convivência harmoniosa com seus educadores;
V-) À associação, podendo eleger representantes de classe e organizar-se em grêmio representativo;
VI-) A recorrer às instâncias escolares superiores;

Artigo 32 – Os alunos, além do que dispõe a legislação, têm o dever de:

I-) participar conscientemente de sua própria educação, comparecendo a todas as atividades educacionais que lhes forem propostas;
II-) Integrar-se à comunidade escolar;
III-) Respeitar seus educadores, colegas, funcionários, assim como seus valores culturais, sociais, morais e religiosos;
IV-) Respeitar o espaço físico e os bens materiais da escola colocados a sua disposição;
V-) Indenizar os prejuízos causados por danos às instalações, ou perda de qualquer material de propriedade da escola ou de colegas, quando comprovada sua responsabilidade;
VI-) Conhecer e fazer cumprir este Regimento, assim como outras normas e regulamentos vigentes na escola;
VII-) Trajar-se adequadamente em qualquer dependência de modo a manter o respeito mútuo e a atender as normas de higiene e segurança pessoal e coletiva;
VIII-) Portar o material escolar necessário para as atividades a serem desenvolvidas.
IX-) Conhecer e cumprir com assiduidade e pontualidade o horário de funcionamento da escola.

Parágrafo Único- A escola fornecerá o material escolar aos alunos comprovadamente carentes, desde que tenha disponibilidades e possibilidades para tanto.

Artigo 33- É vedado ao aluno:

I-) Ocupar-se durante as atividades escolares, de quaisquer atividades estranhas às mesmas;
II-) Fumar no recinto da escola, nos termos da legislação;
III-) Promover campanhas, coletas ou atividades afins sem autorização da direção;
IV-) Praticar quaisquer atos de violência física, psicológica ou moral contra pessoas;
V-) Induzir, portar, guardar ou utilizar qualquer material que possa causar riscos a sua saúde, a sua segurança, a sua integridade física e às de outrem;
VI-) Praticar qualquer ato de vandalismo ou de depredação ou de dano ao patrimônio escolar.

Artigo 34- O não cumprimento das obrigações e a incidência em faltas disciplinares poderão acarretar ao aluno as sanções determinadas pelo Conselho de Escola, observando-se o Artigo 26 deste regimento.

Artigo 35- Toda medida disciplinar aplicada deve ser comunicada aos responsáveis, quando o aluno for menor de 18 anos.

Metáforas novas para reencantar a educação – epistemologia e didática - (Hugo Assmann)




O autor inicia sua obra, analisando os vários aspectos importantes relacionados com a qualidade cognitiva e social da educação. Ele afirma que o processo educacional, a melhoria pedagógica e o compromisso social têm que caminhar juntos, e que um bom ensino da parte dos docentes não é sinônimo automático de boa aprendizagem por parte dos alunos, ou seja, que há uma pressuposição equivocada de que uma boa pedagogia se resume num bom ensino. De acordo com o autor é imprescindível melhorar qualitativamente o ensino nas suas formas didáticas e na renovação e atualização constante dos conteúdos. Ele define que educar não é apenas ensinar, mas criar situações de aprendizagem nas quais todos os aprendentes possam despertar, mediante sua própria experiência do conhecimento. Este explica que a escola não deve ser concebida como simples agência repassadora de conhecimentos prontos, mas como contexto e clima organizacional propício à iniciação em vivências personalizadas do aprender a aprender. A flexibilidade é um aspecto cada vez mais imprescindível de um conhecimento personalizado e de uma ética social democrática.
O conhecimento virou tema obrigatório. Fala-se muito em sociedade do conhecimento e agora também em sociedade aprendente. É importante saber decodificar criticamente e encarar positivamente o desafio pedagógico expressado numa série de novas linguagens. Toda educação implica em doses fortes de instrução, entendimento e manejo de regras, e reconhecimento de saberes já acumulados pela humanidade. Embora importante essa instrução não é o aspecto fundamental da educação, já que este reside nas vivências personalizadas de aprendizagem que obedecem à coincidência básica entre processos vitais e processos cognitivos. No mundo atual, o aspecto instrucional da educação já não consegue dar conta da profusão de conhecimentos disponíveis e emergentes mesmo em áreas específicas. Por isso, esta não deveria preocupar-se tanto com a memorização dos saberes instrumentais, privilegiando a capacidade de acessá-los, decodificá-los e manejá-los. O aspecto instrucional deveria estar em função da emergência do aprender, ou seja, da morfogênese personalizada do conhecimento. Isso pode ser ilustrado, por exemplo, com a visão da memória como um processo dinâmico. É preciso substituir a pedagogia das certezas e dos saberes pré-fixados por uma pedagogia da pergunta, do melhoramento das perguntas e do acessamento de informações. Em pedagogia da complexidade, que saiba trabalhar com conceitos transversais, abertos para a surpresa e o imprevisto.
O reencantamento da educação requer a união entre sensibilidade social e eficiência pedagógica. Portanto, o compromisso ético-político do/a educador/a deve manifestar-se primordialmente na excelência pedagógica e na colaboração para um clima esperançador no próprio contexto escolar.
Na segunda parte do livro ele fala da pós-modernidade e a globalização do mercado.
O objetivo desta reflexão é buscar a ponte entre pós-modernidade/pós-modernismo e didática. O pós-moderno é uma certa valorização da razão lúdica. Por algo a teoria de jogos é parte substancial da engenharia de sistemas cognitivos complexos.O pós-moderno é também um convite a relaxar, a não se levar tão a sério.
O pós-modernismo é, sem dúvida a denúncia das fissuras da racionalidade moderna, mas é também a tentativa de reintroduzir a lógica nebulosa nas práticas culturais.
O marco referencial do debate pós-modernista, embora importante, é insuficiente para discutir e encarar os novos desafios da educação na situação pós-moderna. O debate pós-modernista geralmente não consegue sair do meio-de-campo, confuso e embolado, da crise das ciências humanas e sociais, onde o que mais se escuta são lamúrias nostálgicas em relação a redenções falidas.Em meio ao acirramento competitivo, planetariamente globalizado, a educação se confronta como desafio de unir capacitação competente com formação humana solidária, já que hoje a escola incompetente se revela como estruturalmente reacionária por mais que veicule discursos progressistas. Juntar as duas tarefas – habilitação competente e formação solidária – ficou sumamente difícil, porque a maioria das expectativas do meio circundante (mercado competitivo) se volta quase exclusivamente para a demanda da eficiência (capacidade competitiva).Na terceira parte, ele discute as novas metáforas sobre o conhecimento e fala sobre o final de um ciclo nas estratégias educacionais.O ciclo que termina concentrou-se, por década, no aumento quantitativo da oferta escolar. Escolas por todo lado, tendência à universalização do acesso à escola enquanto espaço disponível. Nisso houve bastante êxito. A ênfase prioritária dessa fase (aumento quantitativo) sobrevive, como um eco interpelativo, no mote: educação para todos. Mas agora a ênfase se desloca do quantitativo para o qualitativo. Daí o exuberante discurso sobre a qualidade, inscrito no que se passou a chamar nova estratégia educacional. Permanece, por um lado, a preocupação por atender, em termos quantitativos, a demanda reprimida ou nem se quer ativada. Diz-se, porem, que faltou, no ciclo anterior, o vinculo dessa expansão escolar com as exigências de modernização do processo produtivo, especialmente em dois aspectos: aquisição de um colchão básico de competências flexíveis e multi-adaptáveis e concentração no eixo científico técnico, que se diz estar comandando a dinâmica dos ajustes requeridos para o crescimento econômico. Passa-se, por isso, a cobrar a ponte entre a escola e uma capacitação básica e flexível diante de um mercado de trabalho cada vez mais exigente no que se refere à versatilidade adaptativa do trabalhador e ao acompanhamento atualizado dos avanços científico-técnicos. Daí a ênfase conjunta em cidadania e capacidade competitiva, qualidade e produtividade; em suma, cidadania competitiva e criatividade produtiva. Não há como ignorar que, nessa proposta, há muitos aspectos irrecusáveis, assim como os há carregado de ambigüidade.Na quarta parte ele discorre sobre a qualidade vista desde o pedagógico, afirmando que no futuro ninguém sobreviverá, em meio à competitividade crescente do mercado, sem uma educação fundamental que lhe entregue os instrumentos para a satisfação de suas necessidades básicas de aprendizagem no que se refere a competências mínimas e flexíveis. No fundo, é a isso que se refere à questão da qualidade. E é também para isso que convergem os interesses, ainda incipientes e ambíguos, que setores do empresariado começam a demonstrar numa verdadeira universalização da educação básica.
Enquanto já acontecem, inegavelmente, algumas manobras poderosas para instaurar uma verdadeira cruzada em favor da educação pela/para a qualidade, e até se chega a falar pomposamente em pedagogia da qualidade, muitos persistem em ignorar o fato, ou o têm como insignificante, ou ainda o consideram um banal modismo passageiro.
As linguagens sobre qualidade funcionam, hoje, como território ocupado. Já não estão livres e disponíveis para dizer com elas o que talvez desejaríamos. Muitos ainda não se deram conta do fato de que o discurso sobre a qualidade se encontra, agora, aprisionado dentro de um campo de significação bem determinado. E, pelo menos por algum tempo, não será fácil arrancá-lo de lá e libertá-lo para outros sentidos.A referência central para conferir se um tipo de educação está atingindo níveis aceitáveis de qualidade é obviamente o processo pedagógico em si mesmo. E o cerne do processo pedagógico deve ser localizado nas experiências do prazer de estar conhecendo, nas experiências de aprendizagem que são vividas como algo que faz sentido para as pessoas envolvidas e é humanamente gostoso, embora possa implicar também árduos esforços. Não basta melhorar a qualidade do ensino, a questão de fundo é melhorar a qualidade das experiências de aprendizagem. Neste sentido, para refletir sobre a qualidade de um processo educativo, nossa atenção deveria voltar-se, antes de tudo, para o problema seguinte: como criar melhores situações de aprendizagem, melhores contextos cognitivos, melhor ecologia cognitiva e melhores interações geradoras da vibração bio-psico-energética do sentir-se como alguém que está aprendendo.Na quinta e última parte, o autor, relaciona a questão da cidadania com a exclusão social. Ele diz que o maior desafio ético da atualidade e, neste sentido, o fato maior desse nosso tempo é, sem dúvida, a presença de uma estarrecedora lógica da exclusão do mundo de hoje. Grandes contingentes da população mundial passam ao rol de “massa sobrante” e faltam as decisões políticas necessárias para uma efetiva dignificação de suas vidas.
O fascínio e a manipulabilidade da linguagem sobre a cidadania faz com que ninguém dê mostras de querer desistir dela. Por mais que se trivialize e banalize, continua inegavelmente importante, embora o processo de expropriação dessa linguagem pelos setores mais conservadores tenha avançado assustadoramente.
Cidadania não pode significar mera atribuição abstrata, ou apenas formalmente jurídica, de um conjunto de direitos e deveres básicos, comuns a todos os integrantes de uma nação, mas deve significar o acesso real, em juridicamente exigível, ao exercício efetivo desses direitos e ao cumprimento desses deveres. Não há, pois, cidadania sem a exigibilidade daquelas mediações históricas que lhe confira conteúdo no plano da satisfação das necessidades e dos desejos, correspondentes àquela noção de dignidade humana que seja estendível a todos num contexto histórico determinado.
A mediação histórica fundamental da cidadania básica é o acesso seguro aos meios para uma existência humana digna. Daí a correlação estreita entre cidadania e trabalho (no sentido de emprego justamente remunerado) na visão até hoje comum dessa temática. Para o trabalhador e seus dependentes, a cidadania se alicerça no direito ao trabalho.
Salta à vista que a questão do emprego, de todos os modos, permanece como um dos elos básicos entre cidadania e lógica da exclusão.






CONCLUSÃO






O livro é um conjunto de reflexões integradas e direcionadas aos vários aspectos que possam interferir na qualidade do processo educacional. O autor demonstra que está havendo uma série de descobertas fascinantes acerca de como se dá a experiência do conhecimento na vida das pessoas. Este fundamenta a convicção de que hoje estamos em condições de entender melhor a relação indissolúvel entre processos vitais e processos de conhecimento, não apenas no sentido do ditado “vivendo e aprendendo”, mas num sentido mais profundo que nos leva a compreender que a própria vida se constitui intrinsecamente mediante processos de aprendizagem.Ao longo do livro ASSMANN mostra-se que a complexidade deve transformar-se num principio pedagógico pela simples razão de que, os docentes devem estar atentos às formas complexas que assumem, na vida dos aprendentes, essa relação intrínseca entre os processos vitais e processos do conhecimento. Nesta perspectiva acredita-se em reformas curriculares no ensino universitário brasileiro, que efetivamente possam contribuir com a formação de profissionais.






Questões:




1-Quando e como Assmann afirma sobre a melhoria pedagógica?


a)Em nenhuma parte do texto ele afirma sobre a melhoria pedagógica


b)Quando o processo educacional e a pedagógica caminharem separadas


c)Quando o processo educacional, a melhoria pedagógica e o compromisso social caminharem juntos


d)Todas as alternativas estão corretas


e)n.d.a.






2-Como o autor fala sobre a Escola?


a)Quando ele define que educar não é apenas ensinar, mas criar situações de aprendizagem


b)Quando ela não for concebida como simples agência repassadora de conhecimentos prontos


c)Quando ela for concebida como simples agência repassadora de conhecimentos prontos


d)As alternativas a e b estão corretas


e)Apenas a alternativa a está correta






3-Qual a visão do autor sobre o pós-modernismo?


a)Ele não possui uma visão crítica sobre o pós-modernismo


b)Quando ele diz sobre a globalização do mercado


c)Quando ele reflete sobre a pós-modernidade e a didática


d)Quando o pós-modernismo é, sem dúvida, a denúncia das fissuras da racionalidade moderna, mas é também a tentativa de reintroduzir a lógica nebulosa nas práticas culturaise)As alternativas b e c estão corretas






4-No decorrer do texto, qual é a reflexão que podemos tirar do autor?


a)É buscar a ponte entre pós-modernidade/pós-modernismo e didática


b)Que a escola melhorará com a globalização dos mercados


c)Todas as anteriores estão corretas


d)Apenas a alternativa b está correta


e)n.d.a.






5-Qual é a relação entre questão de cidadania com a exclusão social?


a)Todas, pois ambas acabam andando juntas


b)Nenhuma, pois ambas acabam andando separadas


c)Porque cidadania e exclusão social podem significar uma mera atribuição abstrata, ou apenas, um conjunto de direitos e deveres básicos, e, ambas devem significar o acesso real ao exercício efetivo dos direitos e ao cumprimento dos deveres


d)Cidadania e exclusão social não podem significar uma mera atribuição abstrata, ou apenas, um conjunto de direitos e deveres básicos, e, ambas devem significar o acesso real ao exercício efetivo dos direitos e ao cumprimento dos deveres


e)A relação entre as duas é o maior desafio ético da atualidade e, neste sentido, o fato maior desse nosso tempo é, sem dúvida, a presença de uma estarrecedora lógica de exclusão do mundo de hoje